Tomi Adeyemi anunciou publicamente que se afastava da adaptação de Filhos de Sangue e Osso (Children of Blood and Bone), romance de sua autoria, e afirmou que não pretende assistir ao filme. O afastamento é uma decisão declarada pela escritora, não uma confirmação de que o estúdio rescindiu seu contrato, retirou seus créditos ou cancelou o longa. Ela relatou sofrimento e hostilidade nos bastidores, mas não detalhou os episódios que teriam motivado sua decisão.
Até 22 de outubro de 2026, o quadro documental reúne três camadas distintas: os relatos de Adeyemi, a investigação jornalística da Vanity Fair com pessoas ligadas à produção e a manifestação pública da diretora Gina Prince-Bythewood sobre o livro. As três não equivalem a uma versão independente e conclusiva dos acontecimentos. A Paramount mantém 15 de janeiro de 2027 em seu catálogo de cinema, sem que essa página confirme a mesma data para o Brasil.
Qual era a participação de Adeyemi no filme?
Publicado em 2018, o romance abre a trilogia O Legado de Orïsha. Depois de mudanças de estúdio durante o desenvolvimento, a Paramount assumiu a adaptação em 2022. Segundo a reportagem de Rebecca Ford para a Vanity Fair, o novo acordo ampliou a participação criativa da autora, prevendo roteiro e produção executiva. Gina Prince-Bythewood passou a dirigir a produção e trabalhou no roteiro com Adeyemi.
A mesma investigação informa que, em maio de 2026, uma arbitragem de créditos do sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos reconheceu Adeyemi e Prince-Bythewood como corroteiristas. Isso importa porque a declaração posterior de afastamento não é, por si só, prova de que esse crédito tenha sido retirado ou de que suas funções contratuais tenham sido formalmente encerradas.
Cronologia pública: dos bastidores às declarações de outubro
| Quando | O que foi documentado | Como interpretar |
|---|---|---|
| 2017 a 2022 | O livro ganhou um acordo de adaptação antes de chegar às livrarias em 2018; após entraves de desenvolvimento, a Paramount assumiu o projeto em 2022. | Histórico reconstruído pela Vanity Fair, sem relação causal comprovada com o conflito de 2026. |
| Fevereiro de 2025 | Amandla Stenberg defendeu publicamente sua escalação como Amari diante de críticas sobre colorismo; uma mensagem de Adeyemi dirigida à atriz, datada desse período, só seria exposta depois, parcialmente. | O teor integral da conversa e a motivação da ruptura não são públicos. |
| Maio de 2026 | A Vanity Fair relata a definição, por arbitragem, dos créditos compartilhados de roteiro. | Crédito de escrita não demonstra controle sobre todas as decisões do filme. |
| 4 e 5 de julho de 2026 | Adeyemi publicou mensagens de afastamento e disse que não veria a adaptação; Omelete, The Guardian e People registraram a manifestação. | O afastamento anunciado é verificável; o motivo específico continua em disputa ou sem documentação. |
| 28 e 29 de julho de 2026 | Após a divulgação do primeiro trailer, Adeyemi publicou novo vídeo sobre o sofrimento que disse ter vivido e alegou continuar sendo antagonizada. | Relato da autora, não constatação independente de cada episódio alegado. |
| 13 de agosto de 2026 | Rebecca Ford publicou na Vanity Fair uma apuração sobre escalação, relações no set e impasses criativos, baseada em fontes com diferentes proximidades da produção. | Testemunhos jornalísticos ajudam a contextualizar, mas não fecham a causa da ruptura. |
| 27 de setembro de 2026 | Em entrevista ao The Guardian, Adeyemi reiterou que não pretende assistir ao filme e se recusou a detalhar o ocorrido no set. | Declaração direta da autora com limites explícitos. |
| 10 e 14 de outubro de 2026 | Gina Prince-Bythewood elogiou o livro de Adeyemi em painel da New York Comic Con no dia 10; People publicou a fala no dia 14. | Elogio à obra não é uma resposta factual às alegações sobre a produção. |
O que Tomi Adeyemi disse sobre o afastamento?
Em julho, a escritora afirmou que deixaria de associar publicamente seu nome à adaptação. Também esclareceu que não se opunha a que os leitores assistissem ao filme. Num segundo vídeo, relatou ter deixado o set chorando e com dificuldade de respirar e afirmou que, depois, enfrentou sofrimento físico intenso e crises de pânico. Ela alegou ainda que continuava sofrendo hostilidade de pessoas ligadas ao projeto. Trata-se de sua descrição da experiência, não de uma conclusão verificada de responsabilidade sobre terceiros.
Na entrevista publicada pelo The Guardian em 27 de setembro, Adeyemi disse que não entraria nos detalhes do que ocorreu no set. Ao ser questionada sobre escolhas de elenco, caracterizou a direção como responsável pelas decisões do filme e salientou que as escolhas da adaptação não eram suas. Reiterou que não desejava assistir à obra e respondeu negativamente à possibilidade de adaptar outros livros no futuro. A fala não identifica uma pessoa específica como autora de uma conduta comprovada.
A controvérsia com Amandla Stenberg explica tudo?
Não há demonstração pública de que explique. A escolha de Amandla Stenberg para a princesa Amari motivou discussões sobre colorismo, pois leitores questionaram a diferença entre a aparência imaginada da personagem e a intérprete. Stenberg respondeu às críticas em vídeo de fevereiro de 2025. Em julho de 2026, Adeyemi divulgou captura de uma mensagem daquele mês em que pedia à atriz que não a contatasse nem a mencionasse; a troca completa não foi publicada.
A Vanity Fair ouviu pessoas que associaram a piora do relacionamento ao vídeo de Stenberg e relataram tensão no set. A reportagem também registrou versões de fontes que diziam que Adeyemi havia participado da discussão de elenco e inicialmente demonstrado apoio à escolha. São relatos atribuídos a fontes, não prova de que uma discussão sobre a escalação tenha causado, sozinha, o afastamento. A própria autora não esclareceu publicamente essa relação causal.
O que a Vanity Fair apurou e quem respondeu?
A investigação publicada em 13 de agosto descreveu o desenvolvimento prolongado do projeto, a participação criativa de Adeyemi, o debate em torno do elenco e percepções divergentes sobre suas relações de trabalho. Uma fonte ligada à produção afirmou que a autora apareceu no set e gravou uma participação especial; outra descrição da reportagem atribuiu a pessoas presentes a percepção de um clima tenso. Essas informações devem permanecer creditadas à reportagem e às fontes citadas, sem se tornarem fatos que o Dantverse tenha presenciado.
Segundo a Vanity Fair, representantes da Paramount, da produtora Temple Hill, de Stenberg e da própria Adeyemi não apresentaram comentários à reportagem; Prince-Bythewood também recusou comentar para a revista. A ausência de posicionamento naquela apuração não confirma as alegações da autora, mas tampouco as desmente. Não foi tornada pública, nesses materiais, uma investigação conclusiva que estabeleça o ocorrido no set ou alterações formais dos créditos de Adeyemi.
Qual foi a manifestação pública de Gina Prince-Bythewood?
No painel da New York Comic Con em 10 de outubro, conforme registrado pela People em 14 de outubro, Gina Prince-Bythewood elogiou o romance e atribuiu à escrita de Tomi Adeyemi a riqueza de personagens, reinos, magia e conflitos que a atraíram para a adaptação. Ela falou positivamente do material original diante do público.
Essa declaração é relevante por demonstrar reconhecimento público da autora e do livro após a controvérsia. Contudo, não equivale a um esclarecimento específico sobre os episódios que Adeyemi relatou, nem a uma contestação detalhada. É preciso evitar apresentá-la como reconciliação, pedido de desculpas ou desmentido, pois a fala consultada não estabelece nenhuma dessas situações.
O que está confirmado e o que permanece desconhecido?
- Confirmado: Adeyemi publicou declarações de distanciamento e reiterou que não pretende assistir ao filme; a produção e sua data de catálogo seguem anunciadas pela Paramount.
- Declarações e reportagens atribuídas: a autora relata sofrimento e hostilidade; pessoas ouvidas pela Vanity Fair apontaram tensões relacionadas à escalação e ao ambiente de produção.
- Não comprovado pelos documentos consultados: o que exatamente ocorreu em cada episódio, a responsabilidade de indivíduos, a causa única do rompimento, a rescisão de vínculos contratuais ou a retirada formal de créditos.
Para quem acompanha a adaptação, a diferença prática é esta: o afastamento público da criadora está documentado, mas o alcance jurídico e criativo dessa decisão não foi esclarecido pelas fontes consultadas. O filme Children of Blood and Bone segue listado no site da Paramount para 15 de janeiro de 2027, uma data do catálogo da distribuidora que não deve ser apresentada como estreia brasileira confirmada.





