AnimesJeferson Dantas4 min de leitura

Ghost in the Shell (1995) e 2.0 (2008): o que mudou nas cenas, cores e vozes?

Ghost in the Shell 2.0 revisa o filme de 1995 com trechos em CGI, nova paleta de cores e diálogos japoneses regravados. Entenda a troca de voz do Mestre das Marionetes e qual versão assistir primeiro.

Capa cyberpunk azul com dois retratos femininos de cabelos escuros, metrópole iluminada e os textos Ghost in the Shell, 1995 e 2.0 2008.

Ghost in the Shell 2.0, lançado em 2008, é uma revisão audiovisual do longa de Mamoru Oshii de 1995, não uma sequência. O filme mantém a história central, mas troca determinados planos por animação computadorizada, modifica cores e interfaces, regrava as vozes japonesas e reconstrói a trilha sonora. Para conhecer a obra como foi lançada, a escolha mais direta é a versão de 1995; 2.0 serve para comparar as mudanças.

A distinção importa porque o número 2.0 pode sugerir um segundo capítulo. A continuação cinematográfica de Oshii chama-se Ghost in the Shell 2: Innocence, de 2004. A edição de 2008 revisita o primeiro longa, sem substituir Innocence na sequência dos filmes.

2.0 é continuação ou revisão do filme original?

A Production I.G registra o lançamento japonês do original em 18 de novembro de 1995 e o de Ghost in the Shell 2.0 em 12 de julho de 2008. As duas fichas atribuem a direção a Mamoru Oshii, o roteiro a Kazunori Ito e a música a Kenji Kawai. A cronologia e os créditos ajudam a separar uma nova apresentação técnica do mesmo filme de uma história posterior.

O ponto comum continua sendo Motoko Kusanagi e a investigação da Seção 9 envolvendo o Mestre das Marionetes. Mudanças pontuais de falas e montagem não transformam 2.0 em outro arco narrativo.

As diferenças entre as versões de 1995 e 2008

Aspecto Versão de 1995 Versão 2.0 (2008)
Animação Desenhos e efeitos digitais da produção original. Parte dos planos recebe CGI novo, sobretudo aberturas e ambientes virtuais; grande parte da animação original permanece.
Cores e interfaces Presença marcante de verdes e tons azulados. Tratamento digital mais quente, com laranjas e âmbar em vários planos e telas.
Vozes japonesas Gravação original; o Mestre das Marionetes tem voz de Iemasa Kayumi. Diálogos regravados; Yoshiko Sakakibara assume a voz do Mestre das Marionetes.
Música e efeitos Trilha de Kenji Kawai e desenho de som da edição original. Trilha remixada e som reconstruído em 6.1 canais, com Randy Thom na equipe.
Narrativa Montagem cinematográfica lançada em 1995. Mesmo enredo principal, com pequenas alterações de planos e de redação de falas.

Quais cenas em 2D foram substituídas por CGI?

A mudança fica evidente logo na abertura. O salto de Motoko de um edifício ganhou novos planos em computação gráfica, e a apresentação dos créditos foi redesenhada. A comparação publicada pelo Movie-Censorship também mostra a troca de um trecho com carro de polícia e Motoko preparando a arma por uma tomada de helicóptero. Mais adiante, a sequência do mergulho recebe extensa reformulação digital.

Isso não significa que o filme inteiro tenha sido reanimado em 3D. No confronto entre DVDs da Manga Entertainment, o Movie-Censorship contabilizou 46 alterações: 38 trechos classificados como novamente animados, sete trechos ausentes e uma substituição de cena. É uma contagem daquela comparação específica, não 46 acontecimentos novos no roteiro. O resultado mescla material de 1995 com intervenções visuais de 2008.

Por que o verde original deu lugar ao laranja?

A atualização também transforma planos que continuam reconhecíveis. Mapas digitais, monitores e outros efeitos recebem novas texturas e correções de cor. Onde a fotografia original frequentemente tende ao verde ou azul-esverdeado, 2.0 adota laranjas e âmbar em várias passagens. A mudança pode ser percebida mesmo quando a ação e o enquadramento permanecem próximos dos antigos.

Portanto, as diferenças visuais têm duas origens que não convém misturar: alguns planos foram efetivamente substituídos por animação nova; outros conservaram a base anterior, mas passaram por tratamento digital. A comparação de cenas ajuda a distingui-los melhor que a ideia de um remake integral.

Quais vozes e sons foram refeitos?

O áudio não recebeu somente uma limpeza. A divulgação japonesa de 2008 informa renovação de diálogos, música e efeitos, com remix da trilha de Kenji Kawai e reconstrução em 6.1 canais. Randy Thom aparece nos créditos de desenho de som, e a Production I.G registra o trabalho de mixagem e gravação na Skywalker Sound.

Na versão japonesa, a alteração de elenco mais reconhecível é o Mestre das Marionetes: Iemasa Kayumi, que interpretava o papel em 1995, foi substituído por Yoshiko Sakakibara em 2.0. O material japonês da época ainda relaciona Atsuko Tanaka como Motoko, Akio Otsuka como Batou e Koichi Yamadera como Togusa. Regravar as falas não significa trocar todos os intérpretes. Essas informações se referem ao áudio japonês, não a eventuais dublagens de outros países.

Qual versão de Ghost in the Shell assistir primeiro?

Para uma primeira sessão, o corte de 1995 preserva a animação, a paleta e as interpretações que definiram a estreia. Depois, 2.0 pode ser interessante para observar como Oshii reapresentou aquele material em 2008, especialmente nas cenas com CGI e no tratamento do som. Nenhuma das duas escolhas depende de assistir a Innocence antes.

Antes de reproduzir ou comprar uma edição, confira se ela está identificada como Ghost in the Shell original ou Ghost in the Shell 2.0 e qual faixa de áudio oferece. Catálogos e extras variam conforme país e lançamento, e as fontes consultadas não permitem afirmar disponibilidade atual de qualquer versão em um serviço brasileiro.

Fontes e referências

Tópicos deste artigoanime cyberpunkGhost in the ShellGhost in the Shell 2.0Mamoru OshiiMotoko KusanagiProduction I.Gversões de filmesGhost in the Shell 2.0 diferençasGhost in the Shell 1995 vs 2008Ghost in the Shell versão originalGhost in the Shell 2.0 vozesGhost in the Shell CGIGhost in the Shell 2 Innocence
Média das avaliações

Avalie este artigo

Sua opinião ajuda outros leitores.

—
Sua nota