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Mulher-Maravilha Absolute: por que Circe é mãe de Diana nesta versão?

Na nova continuidade Absolute, Circe cria Diana no Inferno. Kelly Thompson explica por que inverteu a rivalidade e o que essa escolha revela sobre a heroína.

Ilustração editorial em estilo de quadrinhos de Circe ruiva segurando o rosto de Diana de cabelos negros, entre o Inferno em chamas e templos clássicos.
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Aviso de spoilers: o texto revela a origem de Diana em Absolute Wonder Woman e elementos do primeiro arco, sem resumir todas as edições.

Circe virou mãe adotiva de Diana em Absolute Wonder Woman porque a roteirista Kelly Thompson quis inverter uma rivalidade conhecida e testar o que permanece da Mulher-Maravilha quando ela perde Temiscira e a educação das amazonas. No Universo Absolute, a feiticeira cria a criança no Inferno; na continuidade tradicional, é uma adversária da heroína. Não houve uma substituição da história clássica: são versões diferentes da personagem.

Como Circe acaba criando Diana no Inferno?

Na edição de estreia, publicada em outubro de 2024, Apolo entrega a bebê Diana a Circe, que está confinada em uma região infernal. Segundo a explicação da origem apresentada pela ComicBook.com, os deuses arrancaram a criança de seu povo como punição às amazonas e proibiram até que seu nome fosse pronunciado. Os deuses não estão colocando Diana sob a proteção de uma mãe escolhida por afeto: querem afastá-la de suas origens.

Circe inicialmente não pretende assumir esse papel. A convivência muda a situação. Os quadros de Hayden Sherman mostram a passagem do tempo enquanto o espaço hostil se transforma em lar e as duas estabelecem um vínculo familiar. É uma maternidade construída por cuidado, proteção e ensino, não uma afirmação de que Circe seja a mãe biológica de Diana.

A inversão também reorganiza a aprendizagem da protagonista. Sem crescer entre as amazonas de Temiscira, Diana passa a conhecer feitiços e criaturas do submundo. Essa formação aparece em seus instrumentos de combate e em sua magia, mas não a transforma em uma cópia moral de Circe.

O que muda em relação à Mulher-Maravilha clássica?

Nas histórias tradicionais, Diana é associada à rainha Hipólita, à ilha de Temiscira e a uma educação amazona voltada à paz, mesmo quando precisa enfrentar a violência. A própria ficha da DC ressalta seu papel de representante das amazonas no mundo dos homens. A origem exata de Diana teve diferentes versões editoriais, de modo que é inadequado reduzir toda a continuidade clássica a uma explicação única de seu nascimento.

Circe, por sua vez, tem longa trajetória como feiticeira e antagonista de Diana. A DC já a descreveu como arqui-inimiga da heroína em um retrospecto de sua linhagem. Isso não significa que cada aparição de Circe em décadas de quadrinhos seja idêntica, mas estabelece o contraste: normalmente as duas se enfrentam; na linha Absolute, a relação que forma Diana começa dentro da família.

A série Absolute não revela que a Circe conhecida das histórias principais sempre foi uma mãe secreta de Diana. Também não elimina Hipólita nem reescreve retroativamente todos os encontros entre as duas. Ela apresenta outra continuidade, com a herança amazona de Diana arrancada de sua infância.

Por que Kelly Thompson escolheu justamente uma antiga inimiga?

A resposta é explicitamente criativa. Em entrevista ao FreakSugar, Thompson contou que a condição de antiga inimiga tornava Circe uma escolha fértil: o conflito esperado entre heroína e bruxa dá lugar à possibilidade de mudança mútua. A autora destacou ainda a distância entre a tendência vingativa de Circe e a disposição de Diana para agir com justiça e compaixão.

Em outra entrevista, publicada pela própria DC, Thompson explicou que tentou versões da personagem que deixavam de parecer a Mulher-Maravilha. A solução foi retirar elementos familiares de sua origem, mas preservar algo essencial: a capacidade de Diana de transformar positivamente quem a cerca. Sherman explicou que as páginas silenciosas da criação da menina precisavam mostrar, com simplicidade, duas pessoas se tornando uma família.

Thompson vai além da ideia de que Circe ensina Diana a ser uma feiticeira. Para a roteirista, a compaixão de Diana altera Circe de maneira mais profunda do que o contrário. É uma intenção declarada da autora, não uma tese que precise ser adivinhada a partir de uma suposta continuidade secreta.

A Diana do Inferno continua sendo a Mulher-Maravilha?

Sim, essa é a tensão que a reinvenção coloca em primeiro plano. Embora empunhe uma espada enorme e use objetos e feitiços ligados a Circe, Diana ainda protege desconhecidos. Uma leitura publicada no site da DC destaca as cenas da infância nas quais ela responde a criaturas perigosas com uma atitude de cuidado, mesmo depois de ser ferida.

O primeiro arco também a leva a agir contra monstros que ameaçam Gateway City. A comparação relevante não é atribuir bondade ao Inferno ou transformar Circe em uma personagem sem passado, e sim perceber que as escolhas de Diana não são determinadas apenas pelo lugar onde cresceu. Essa é uma interpretação temática coerente com os episódios documentados e com as entrevistas dos criadores.

No fim, Absolute Wonder Woman troca a oposição entre heroína e feiticeira por um relacionamento de mãe e filha para perguntar se Diana continuaria sendo Diana sem seu paraíso de origem. A resposta proposta pelo primeiro arco é que sim: sua formação mudou profundamente, mas sua compaixão permanece. Isso vale para a Diana Absolute, não para todas as versões da Mulher-Maravilha.

Fontes e referências

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