Aviso: o texto a seguir contém spoilers de todo o filme O Chamado (2002), incluindo as mortes e o final.
Rachel Keller sobrevive porque reproduz a fita amaldiçoada e a gravação chega a outro espectador. A investigação sobre Samara e o enterro de seus restos mortais não encerram a maldição. Noah, que assistiu ao vídeo mas não perpetuou a corrente por meio de uma nova cópia, morre quando seu prazo termina. A revelação transforma o gesto de Rachel para salvar Aidan, seu filho, em uma escolha moralmente inquietante.
Este resumo trata da versão americana The Ring, dirigida por Gore Verbinski, lançada nos Estados Unidos em 2002 e conhecida no Brasil como O Chamado. A estreia nos cinemas brasileiros é registrada em 31 de janeiro de 2003. O roteiro é de Ehren Kruger e o elenco inclui Naomi Watts como Rachel, Martin Henderson como Noah e Daveigh Chase como Samara. A narrativa abaixo acompanha esse filme, sem incorporar acontecimentos da continuação nem do original japonês.
Como a morte de Katie leva Rachel à fita
Katie Embry conta à amiga Becca uma história sobre uma VHS: depois de assistir a imagens perturbadoras, a pessoa recebe um telefonema e morre sete dias mais tarde. Katie admite que viu aquela gravação com outros três jovens durante uma estadia no Shelter Mountain Inn. Na noite em que se completa uma semana, ela morre em circunstâncias inexplicáveis. Becca presencia o horror e acaba internada, mas o filme não estabelece que ela própria assistiu à fita.
No funeral, Ruth, mãe de Katie, pede ajuda à irmã Rachel, uma jornalista de Seattle. Rachel identifica que os outros três espectadores da cabana também morreram, no mesmo período: Josh caiu de um prédio e o outro casal sofreu um acidente de carro. Fotografias daquele fim de semana apresentam rostos distorcidos. As pistas levam Rachel à mesma cabana, onde ela encontra e assiste à VHS. Ao terminar, ouve pelo telefone o aviso de sete dias.
Rachel procura Noah, pai de Aidan, para examinar o vídeo. Ele assiste, pede uma cópia para análise e Rachel a produz. Enquanto ela investiga, sinais estranhos reaparecem nas fotografias, nas imagens e em seus pesadelos. A situação piora quando Aidan também assiste à gravação: agora o menino tem seu próprio prazo, que não deve ser confundido com o da mãe ou o de Noah.
O que a fita mostra e por que a investigação chega aos Morgan
A montagem da VHS reúne imagens aparentemente desconexas, como um anel de luz, um poço, uma árvore, um espelho, água e cavalos. Rachel examina os quadros em busca de lugares e pessoas reais. Uma mulher refletida no espelho é identificada como Anna Morgan, criadora de cavalos da ilha de Moesko. As notícias antigas relatam animais que enlouqueceram e morreram no mar e o posterior suicídio de Anna.
Na travessia de barco, um cavalo entra em pânico e se lança à água, aproximando a experiência de Rachel das imagens da fita. Na ilha, Richard Morgan, viúvo de Anna, resiste às perguntas. A médica local ajuda Rachel a identificar Samara, a menina criada pelo casal. Registros médicos investigados por Noah e uma gravação de entrevista com Samara revelam uma capacidade sobrenatural de projetar imagens em objetos e mentes. O filme associa esse poder às visões que atormentavam a família; não é preciso supor que cada imagem da VHS corresponda a uma filmagem convencional.
Richard isola Samara no sótão do estábulo e teme que aquelas manifestações nunca cessem. Quando Rachel encontra a gravação clínica escondida na casa, Richard se desespera e tira a própria vida por eletrocussão. Depois, Rachel e Noah descobrem no lugar onde Samara ficava uma imagem de árvore marcada na parede. É a pista que os faz retornar ao Shelter Mountain Inn.
O poço, a morte de Samara e a falsa solução
Debaixo do piso da cabana, Rachel e Noah encontram um poço. Rachel cai nele e tem uma visão do passado: Anna sufocou parcialmente Samara e a lançou lá dentro, ainda viva. A menina permaneceu no poço durante sete dias antes de morrer. O corpo é encontrado e recebe um sepultamento, levando Rachel a acreditar que libertar Samara finalmente interrompeu os ataques.
O anel luminoso que surge na gravação ganha então uma leitura narrativa: lembra o círculo de luz visto do fundo do poço antes que sua abertura seja fechada. É uma conexão visual entre a fita, a prisão da menina e o título original The Ring, não uma prova de que toda a maldição se explica por esse único símbolo. O erro decisivo de Rachel é tratar a descoberta e o enterro como uma cura. Aidan avisa que ela não deveria ter ajudado Samara.
Linha do tempo: espectadores, cópias e mortes
- Antes da investigação: Katie, Josh e outro casal assistem à fita na cabana; sete dias depois, os quatro morrem. Becca presencia a morte de Katie, mas não é identificada como espectadora da VHS.
- Rachel entra na contagem: ela vê a fita na cabana e recebe o telefonema com a ameaça de sete dias.
- Noah é exposto: ele assiste ao vídeo e pede uma duplicata; Rachel faz a cópia no decorrer da apuração. Noah não cria uma nova cópia destinada a outro espectador.
- Aidan também assiste: o filho de Rachel vê a gravação e passa a correr risco próprio. O filme não mostra sua morte.
- Na reta final da semana de Rachel: mãe e pai encontram o poço e os restos de Samara. Rachel chega ao fim de seu prazo viva e imagina ter encerrado a maldição.
- O prazo de Noah termina depois: Samara emerge de sua televisão e o mata. A sobrevivência de Rachel, portanto, não demonstra que Samara foi pacificada.
- Última decisão: Rachel ajuda Aidan a duplicar a VHS. A cena não mostra quem receberá ou assistirá à nova cópia.
Por que Rachel sobrevive e Noah não?
O contraste entre os dois esclarece a regra que o desfecho propõe: apenas localizar o corpo de Samara ou assistir à fita com boas intenções não protege ninguém. Rachel havia feito uma duplicata e a gravação passou adiante, incluindo a exibição para Aidan. Noah, por sua vez, assistiu e investigou, mas não realizou a transmissão necessária para escapar. A narrativa associa a preservação de Rachel à reprodução e à circulação da fita, não ao enterro.
A distinção importante é entre duplicar e transmitir a alguém. O final indica que a maldição exige a continuidade da corrente, e não que um simples botão de copiar apague automaticamente a ameaça. O próprio filme não oferece um manual com todas as exceções possíveis; a regra é inferida da diferença observada entre quem sobreviveu e quem morreu. Desse modo, a saída de Rachel transfere o perigo em vez de destruí-lo.
O destino de Aidan e a pergunta que o filme não responde
Depois da morte de Noah, Rachel entende que Aidan também precisa escapar antes do vencimento de seus sete dias. Ela o ajuda a fazer outra cópia, mesmo sabendo o que isso significa para o próximo espectador. Aidan pergunta o que acontecerá com a pessoa que vir o vídeo. Rachel não responde, e a identidade desse futuro destinatário não é revelada.
O longa termina com a ameaça ainda circulando. Não mostra a efetiva exibição da nova fita a uma terceira pessoa nem confirma, nessa última cena, o destino definitivo de Aidan. A consequência clara é ética: sobreviver exige colocar outro indivíduo diante do mesmo risco. É por isso que a explicação do mistério não funciona como um final feliz.
Samara de O Chamado e Sadako de Ring não são a mesma versão
O Chamado é a adaptação americana do japonês Ring (Ringu), dirigido por Hideo Nakata e lançado em 1998, obra ligada ao romance de Koji Suzuki. No filme americano, a criança associada à fita é Samara Morgan, enquanto o espírito da versão japonesa é Sadako. A produção americana acompanha Rachel e a família Morgan; a japonesa acompanha Reiko e sua investigação. A semelhança da fita e dos sete dias não autoriza misturar nomes, genealogias ou detalhes de uma versão com a outra.





