Séries22/10/2026Jeferson Dantas6 min de leitura

Sobrenatural: como Ruby enganou Sam para libertar Lúcifer

Entenda o treinamento de Sam com Ruby, a dependência de sangue demoníaco, o conflito com Dean e a verdadeira função da morte de Lilith na quarta temporada.

Homem de expressão tensa segura uma taça com líquido vermelho, enquanto uma mulher e uma figura sombria o observam diante de um símbolo vermelho.

Aviso: spoilers completos da quarta temporada de Sobrenatural (Supernatural), inclusive do episódio 22, "Lucifer Rising".

Ruby convence Sam Winchester de que o sangue de demônio é o caminho para derrotar Lilith e impedir a libertação de Lúcifer. O golpe está na informação que ela esconde: a morte de Lilith é o último dos 66 selos que mantêm Lúcifer preso. Sam acredita estar interrompendo o Apocalipse, mas, ao matar a demônia, conclui o plano que Ruby ajudou a executar.

A manipulação funciona porque Ruby se aproxima de Sam quando ele está vulnerável pela perda de Dean, oferece um poder que parece salvar pessoas e transforma o confronto com Lilith em uma missão urgente. A temporada revela esses passos aos poucos, sobretudo nos episódios 9, 21 e 22.

1. Depois da morte de Dean, Ruby se torna a aliada de Sam

No fim da terceira temporada, Dean vai para o Inferno por causa do pacto que havia feito para salvar Sam. Enquanto o irmão está ausente, Sam tenta desesperadamente trazê-lo de volta, mas não consegue. É nesse período que Ruby retorna à sua vida. Os acontecimentos são reconstruídos em flashbacks de "I Know What You Did Last Summer" (4x09).

Ruby se apresenta como a demônia disposta a ajudá-lo a enfrentar Lilith. Ela salva Sam de um ataque e passa a treiná-lo para usar capacidades sobrenaturais que ele já possuía. Os dois também estabelecem uma relação íntima. Para Sam, há motivos concretos para confiar nela: Ruby aparece quando ele está isolado, ensina uma forma de continuar caçando e dá uma direção à sua raiva pela perda de Dean.

Isso não torna a confiança dele infalível. A revelação do final da temporada muda o sentido desses gestos: ajuda, treinamento e proximidade também eram maneiras de conduzi-lo até Lilith.

2. Por que Sam bebe sangue de demônio?

O poder de Sam não nasce com Ruby. Quando era bebê, ele recebeu sangue de Azazel, fato ligado às habilidades psíquicas que manifestou antes da quarta temporada. Ruby explora essa condição e o ensina a usar seus poderes contra demônios. O consumo de sangue demoníaco passa a ampliar sua força, até que ele consiga enfrentar inimigos cada vez mais poderosos.

No começo, a justificativa parece moralmente convincente para Sam: expulsar um demônio pela força da mente pode preservar a vida da pessoa possuída, ao contrário de métodos que também matam o hospedeiro. Em "Metamorphosis" (4x04), Dean descobre que ele está usando essas habilidades e o confronta. Sam promete parar, mas volta a recorrer a Ruby e ao sangue.

O problema deixa de ser apenas o risco das habilidades. Sam passa a depender fisicamente do sangue e psicologicamente da sensação de poder, enquanto Ruby associa cada nova dose à possibilidade de derrotar Lilith. Em "On the Head of a Pin" (4x16), seu fortalecimento já é decisivo no enfrentamento de Alastair. Dean enxerga uma transformação perigosa; Sam insiste que está fazendo o necessário para vencer um mal maior.

3. A mentira sobre Lilith e o último selo

O plano que os Winchester conhecem é simples: Lilith está rompendo os selos que mantêm Lúcifer preso, e pará-la antes do último deles deveria impedir sua libertação. Ruby reforça essa leitura ao afirmar que apenas o primeiro demônio, Lilith, tem ligação com a quebra do selo final. Sam deduz que matá-la a tempo encerrará a ameaça.

A parte omitida é decisiva: Lilith não precisa sobreviver para quebrar o selo final. Sua própria morte constitui esse selo. Ruby sabe disso e, no desfecho, revela que trabalhou secretamente em favor da libertação de Lúcifer. Segundo ela, Lilith também conhecia seu verdadeiro papel, enquanto os outros demônios não sabiam da operação.

A estratégia é particularmente eficaz porque se apoia em fatos parciais. Lilith realmente é central para o último selo e Sam realmente pode matá-la. O erro é a relação de causa e efeito que Ruby o incentiva a aceitar.

Questão O que Sam acreditava O que Ruby sabia
Sangue de demônio Era um meio perigoso, mas necessário, de ganhar força para derrotar Lilith. A dependência o manteria no caminho planejado até a morte de Lilith.
Papel de Lilith Ela precisava ser morta antes que rompesse o último selo. A morte dela era o próprio último selo.
Resultado da missão Matar Lilith impediria a libertação de Lúcifer. Matar Lilith libertaria Lúcifer.

4. A dependência rompe a relação de Sam com Dean

Em "When the Levee Breaks" (4x21), Dean e Bobby trancam Sam na sala de pânico de Bobby para tentar fazê-lo abandonar o sangue demoníaco. A abstinência provoca sofrimento e alucinações, deixando evidente que não se trata de uma ferramenta que ele consiga simplesmente guardar. Castiel o liberta discretamente, cumprindo ordens que naquele momento não explica aos irmãos.

Ao reencontrar Ruby, Sam volta a beber seu sangue. Ela afirma que restam pouquíssimos selos e apresenta a suposta necessidade de matar Lilith imediatamente. Quando Dean chega para impedir a parceria, Sam protege Ruby. A discussão termina em agressão física, e Dean chama o irmão de monstro. Sam parte com Ruby depois de ouvir que não deve voltar.

Essa ruptura não é um detalhe lateral. Ruby consegue substituir Dean como referência de confiança exatamente quando Sam mais precisa questionar o conselho que está recebendo. Ainda assim, a narrativa não apaga as escolhas dele: Sam mente, esconde o consumo de sangue e rejeita as advertências do irmão.

5. "Lucifer Rising": matar Lilith liberta Lúcifer

No episódio 22, Sam e Ruby localizam uma demônia ligada a Lilith. Para adquirir força suficiente para o confronto, Sam aceita ir além do sangue que recebia de Ruby, mesmo diante do custo para uma pessoa possuída. Ele também ouve uma mensagem de voz adulterada que parece trazer uma rejeição brutal de Dean. Na verdade, Dean havia tentado se reconciliar. O episódio não identifica de maneira inequívoca quem alterou a gravação, portanto não é preciso atribuir essa ação diretamente a Ruby.

Enquanto isso, Zachariah revela a Dean que setores do Céu também desejam que o Apocalipse comece, convencidos de que vencerão a guerra posterior. Castiel acaba ajudando Dean a tentar alcançar Sam. O confronto dos irmãos, portanto, não acontece isolado de outras manipulações.

No convento, Sam domina Lilith com seus poderes. Ele hesita quando ouve Dean chamá-lo, mas a pressão de Ruby e as provocações de Lilith o levam a continuar. Sam mata Lilith. O sangue dela marca a abertura da prisão de Lúcifer, e Ruby comemora a conclusão do plano.

Sam percebe imediatamente que foi enganado. Ruby afirma que não foi o sangue, por si só, que determinou tudo, e insiste que ele próprio tomou as decisões. Essa é a versão da manipuladora, não uma absolvição de sua conduta. Quando Dean consegue entrar, Sam segura Ruby e Dean a mata com a faca capaz de destruir demônios. A aliança dos irmãos é retomada tarde demais para impedir a abertura da prisão.

6. O que a trajetória de Sam realmente significa?

Ruby não transforma Sam em um vilão obediente por meio de um único feitiço. Ela explora o luto, o desejo de salvar pessoas e a insegurança de alguém que carrega sangue demoníaco desde a infância. Cada etapa faz a próxima parecer justificável, até que Sam confunda a capacidade de matar Lilith com a certeza de que deveria fazê-lo.

O desfecho preserva duas responsabilidades diferentes: Ruby planejou a armadilha e ocultou a verdade sobre o selo; Sam tomou decisões que o colocaram nela. É por isso que a morte de Lilith encerra o plano de Ruby, mas abre um novo conflito para os Winchester.

Fontes e referências

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