Erika Ender participou da criação de Despacito desde 2015, quando escreveu a canção em parceria com Luis Fonsi, na casa do cantor. Ela ajudou a desenvolver a letra e a melodia muito antes do lançamento com Daddy Yankee, em janeiro de 2017, e da entrada de Justin Bieber no remix, em abril. Bieber colaborou com uma versão posterior, não com a sessão original de composição.
O que Erika Ender e Luis Fonsi criaram em 2015?
O ponto de partida veio de Fonsi: a palavra despacito, uma ideia de refrão e uma direção melódica. Segundo o relato de Ender publicado pela Recording Academy em 2018, os dois trocaram ideias com um violão no estúdio doméstico do cantor. Ela respondeu à proposta inicial com uma continuação para a letra, e a dupla desenvolveu a música em conjunto. A contribuição de Ender foi criativa, não apenas uma revisão de palavras depois de a canção ficar pronta.
Em reportagem de Mikael Wood para o Los Angeles Times, Ender situou o encontro em 2015 e contou que a composição avançou durante uma tarde, depois de uma conversa entre amigos. Ela estimou cerca de três horas para chegar a uma canção completa. O relato identifica o nascimento da composição, não a data de gravação ou lançamento do single que o público conheceria dois anos depois.
Como a música escrita em 2015 chegou ao single de janeiro de 2017?
Depois da etapa de composição, a música passou por decisões de arranjo e produção. Fonsi desejava combinar seu repertório de pop melódico com uma sonoridade mais urbana, segundo a reportagem do Los Angeles Times. Daddy Yankee foi incorporado à gravação, com sua parte de rap. Os créditos da versão original reconhecem Luis Fonsi, Erika Ender e Daddy Yankee, também identificado como Ramón Ayala, como autores da canção.
A gravação com Fonsi e Daddy Yankee foi lançada em janeiro de 2017, antes de qualquer participação de Bieber. Andrés Torres e Mauricio Rengifo aparecem nos créditos de produção da gravação original, conforme o registro de lançamento do MusicBrainz. A reportagem da EFE publicada pelo Los Angeles Times em espanhol situa a estreia do videoclipe original em 13 de janeiro daquele ano. O lançamento já havia alcançado grande público latino-americano quando o remix começou a ser planejado.
O que mudou quando Justin Bieber entrou no remix?
A nova gravação chegou em 17 de abril de 2017, com Bieber como intérprete convidado. A reportagem de Mikael Wood relata que o canadense ouviu a faixa durante uma passagem pela Colômbia e demonstrou interesse em participar. Seu empresário, Scooter Braun, acionou Jason Boyd, conhecido como Poo Bear, para desenvolver um novo trecho em inglês. Bieber também gravou o refrão em espanhol.
Há uma distinção importante nesse processo: Ender afirmou ao Los Angeles Times que ela, Fonsi e Daddy Yankee já haviam preparado uma tradução em inglês pensando em uma possível colaboração. O trecho que entrou no remix, porém, foi desenvolvido para Bieber com a participação de Poo Bear, segundo a mesma reportagem. Ter trabalhado previamente em uma adaptação e participar da composição original não significa que todas essas etapas usem os mesmos créditos.
Na indicação ao Grammy de 2018 para Canção do Ano, referente ao remix, aparecem seis compositores: Ramón Ayala (Daddy Yankee), Justin Bieber, Jason Boyd (Poo Bear), Erika Ender, Luis Fonsi e Marty James Garton. O crédito expandido registra contribuições à versão posterior; não demonstra que os seis escreveram juntos a canção em 2015.
Composição, gravação e remix: a diferença entre os créditos
| Etapa | Período | Participantes e contribuição documentada |
|---|---|---|
| Criação da canção | 2015 | Luis Fonsi e Erika Ender desenvolveram juntos letra e melodia na casa de Fonsi. |
| Gravação original | Janeiro de 2017 | Luis Fonsi e Daddy Yankee interpretam; os créditos autorais reconhecem Fonsi, Ender e Daddy Yankee. Produção de Andrés Torres e Mauricio Rengifo. |
| Remix com Bieber | 17 de abril de 2017 | Justin Bieber entra como cantor. Os créditos de composição da versão incluem também Jason Boyd e Marty James Garton, além dos autores previamente associados à música. |
O contraste também aparece nas premiações. A Latin Recording Academy concedeu o Latin Grammy de Canção do Ano de 2017 a Despacito com Daddy Yankee, Erika Ender e Luis Fonsi identificados como compositores. Na lista da Recording Academy para o Grammy de 2018, a indicação de Canção do Ano se refere ao remix e apresenta os seis nomes. São identificações de versões diferentes, não dois relatos incompatíveis sobre quem iniciou a música.
Por que o sucesso com Bieber não apaga a participação de Erika Ender?
Porque a autoria da composição antecede a colaboração posterior. Ender ajudou a criar a estrutura melódica e a letra que sustentaram tanto a gravação em espanhol quanto o remix internacional. A entrada de Bieber acrescentou interpretação e material de composição creditado à versão de 2017, mas não transformou a criação de 2015 em uma música escrita originalmente por ele.
A distinção também evita outro equívoco: cantar, produzir a gravação e compor são funções diferentes, embora uma mesma pessoa possa acumular várias delas. O papel de Ender está registrado na história documentada da criação e nos créditos da canção original, independentemente da visibilidade que o remix ganhou depois.
Fontes e referências
- Recording Academy, Renée Fabian: entrevista com Erika Ender no podcast Required Listening
- Los Angeles Times, Mikael Wood: história da composição e do remix (2017)
- Los Angeles Times / EFE: entrevista com Erika Ender e cronologia de abril de 2017
- Latin Recording Academy: vencedores do Latin Grammy de 2017
- Recording Academy: compositores indicados a Canção do Ano no Grammy de 2018
- MusicBrainz: créditos da gravação original e de seu remix
- Apple Music: identificação do remix com Justin Bieber, de 17 de abril de 2017





