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La Casa de Papel: Coreia é continuação? Entenda as máscaras Hahoe e a reunificação

La Casa de Papel: Coreia, de 2022, é um remake, não uma sequência espanhola. Entenda como a área econômica conjunta fictícia, a nova moeda e as máscaras Hahoe mudam o assalto.

Arte ilustrativa de assaltantes em macacões vermelhos e máscaras inspiradas em Dalí e Hahoe, com dinheiro e bandeiras da Espanha e das duas Coreias.

Não. La Casa de Papel: Coreia é um remake sul-coreano de La Casa de Papel, e não uma continuação da série espanhola. Lançada em 2022 com o título internacional Money Heist: Korea - Joint Economic Area, ela retoma a ideia de um grupo organizado pelo Professor para invadir uma casa da moeda, mas apresenta outra versão dos personagens. O cenário é uma aproximação fictícia entre Coreia do Norte e Coreia do Sul. As máscaras Hahoe substituem as de Salvador Dalí como identidade visual do novo assalto.

Por que é remake, e não sequência?

A Netflix anunciou o projeto em 18 de janeiro de 2022 como uma adaptação coreana da produção espanhola. Em comunicados posteriores, voltou a defini-lo como remake. Isso significa que os nomes e algumas funções dramáticas são reaproveitados em uma nova narrativa, sem a proposta de mostrar o que aconteceu depois dos assaltos da equipe espanhola.

O Professor interpretado por Yoo Ji-tae, por exemplo, corresponde ao papel desempenhado por Álvaro Morte na produção original, mas não é apresentado como o mesmo homem em uma etapa posterior de sua vida. A semelhança serve para reconhecer a estrutura da história, não para estabelecer uma cronologia compartilhada.

O que é a Área Econômica Conjunta na série?

A ação se passa em um futuro alternativo em que as duas Coreias avançam para a reunificação e criam uma área de cooperação econômica na região que as separa. A antiga zona desmilitarizada passa a abrigar, na ficção, uma Casa da Moeda da Coreia Unificada, responsável pela impressão de uma nova moeda comum.

Essa reunificação é uma premissa ficcional, não um acontecimento real. A série explora a distância entre a promessa de prosperidade e os benefícios percebidos pela população. No material divulgado pela Netflix em maio de 2022, o roteirista Ryu Yong-jae explica que a adaptação acrescenta tensões, desconfianças e possibilidades de cooperação entre norte-coreanos e sul-coreanos. Esses elementos atingem tanto os ladrões quanto as autoridades que tentam detê-los.

O objetivo do assalto preserva a lógica central da versão espanhola: ocupar uma casa da moeda e produzir dinheiro ali, em vez de simplesmente retirar notas de um cofre. A diferença é o significado do dinheiro impresso. Na trama coreana, trata-se da nova moeda de um projeto de integração econômica, justamente o projeto cujas desigualdades a história coloca em discussão.

Por que trocaram Salvador Dalí pelas máscaras Hahoe?

Na série espanhola, os macacões vermelhos aparecem acompanhados por máscaras inspiradas no rosto de Salvador Dalí. A versão sul-coreana mantém os macacões, mas escolhe máscaras inspiradas nas Hahoe, tradição cultural associada à região de Andong, na Coreia do Sul. Segundo o Netflix Tudum, essas máscaras também têm ligação com manifestações que satirizam figuras de poder.

A troca é coerente com a ambientação: um símbolo reconhecível da iconografia espanhola dá lugar a uma referência cultural coreana, com espaço para a crítica social proposta pelo remake. Não é uma pista de que os dois grupos de assaltantes existam no mesmo universo ou tenham trocado de disfarce.

La Casa de Papel e La Casa de Papel: Coreia: o que muda?

Aspecto Série espanhola Remake sul-coreano
Continuidade História original dos assaltantes espanhóis. Nova versão da premissa, sem prosseguir a trama espanhola.
Cenário do primeiro assalto Casa da Moeda da Espanha. Casa da Moeda da Coreia Unificada, em uma área econômica conjunta fictícia.
Plano financeiro Imprimir dinheiro na casa da moeda. Imprimir a nova moeda comum da integração entre as Coreias.
Conflito contextual Assaltantes, reféns e autoridades no contexto espanhol. Assaltantes e autoridades dos dois lados da península, em meio a tensões da aproximação política.
Máscaras Rosto estilizado de Salvador Dalí. Máscaras inspiradas na tradição Hahoe.
Codinomes Professor, Tóquio, Berlim, Denver, Nairóbi e outros. Os codinomes principais são reutilizados por novos personagens.

Os personagens têm os mesmos nomes, mas são as mesmas pessoas?

Não. Há correspondências intencionais, explicadas em um guia de elenco da própria Netflix. Yoo Ji-tae vive o Professor que organiza o plano; Park Hae-soo interpreta Berlim, responsável pelo comando dos ladrões dentro da casa da moeda; e Jun Jong-seo assume Tóquio. Na versão coreana, Tóquio tem uma trajetória específica de trabalhadora migrante norte-coreana, detalhe ligado ao novo cenário.

O paralelo também aparece na polícia. Seon Woo-jin, vivida por Kim Yunjin, é a negociadora sul-coreana e ocupa uma posição dramática semelhante à de Raquel Murillo, interpretada por Itziar Ituño na série espanhola. Denver, vivido por Kim Ji-hun, mantém a relação de pai e filho com Moscou, interpretado na adaptação por Lee Won-jong. São equivalências de funções e relações, não reencontros do elenco ou retornos dos personagens originais.

Preciso assistir à série espanhola primeiro?

Não é necessário para entender o ponto de partida do remake. A trama coreana apresenta seu próprio Professor, sua equipe, seus reféns e o contexto político fictício do assalto. Quem conhece a produção espanhola reconhecerá os codinomes, os uniformes e a estratégia na casa da moeda, mas a principal razão para comparar as duas versões está no modo como a adaptação transforma esses elementos ao situá-los entre as duas Coreias.

Fontes e referências

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