Wicked: For Good tem duas canções originais criadas para o filme: “No Place Like Home”, cantada por Cynthia Erivo como Elphaba, e “The Girl in the Bubble”, interpretada por Ariana Grande como Glinda. Já “The Wicked Witch of the East” não é uma composição nova: fazia parte do musical de palco, mas não entrou no álbum do elenco original da Broadway, de 2003. Essa diferença entre estreia de uma canção e primeira inclusão em uma gravação comercial explica boa parte da confusão.
Aviso de spoilers leves: a comparação menciona a função de algumas músicas no segundo ato da história, sem revelar seu desfecho.
Quais são as duas músicas compostas para Wicked: For Good?
A Universal Music Brasil, no comunicado de 21 de novembro de 2025 sobre Wicked: For Good - The Soundtrack, identifica expressamente duas composições novas de Stephen Schwartz. A relação publicada no site do próprio compositor também assinala somente “No Place Like Home” e “The Girl in the Bubble” como new song. Portanto, o critério para chamá-las inéditas é a criação para a adaptação cinematográfica, não simplesmente a presença no álbum de 2025.
“No Place Like Home” é o número de Elphaba, na voz de Cynthia Erivo. Em entrevista à ELLE, Schwartz explica que a música surgiu da necessidade de mostrar o vínculo da personagem com Oz: ela tenta convencer animais que pretendem deixar o lugar a permanecer e resistir. O compositor contou que a canção passou por diferentes formatos até chegar à versão usada no filme.
“The Girl in the Bubble” pertence a Glinda, interpretada por Ariana Grande. Segundo Schwartz, o número oferece espaço para a personagem reconhecer o isolamento e as vantagens de sua posição, examinando o que está disposta a mudar. Ele disse que escreveu essa canção primeiro e com relativa rapidez. Essas explicações vêm do autor, e não de uma interpretação inventada do filme.
Qual música já existia no teatro, mas faltava no disco de 2003?
É “The Wicked Witch of the East”. O banco de dados da Broadway, o IBDB, inclui o número no segundo ato da produção original de Wicked, aberta em 30 de outubro de 2003, e o atribui a Elphaba, Nessarose e Boq. Em outras palavras, a canção integrava o espetáculo muito antes de Wicked: For Good.
A confusão nasceu porque o álbum do elenco original, lançado em 16 de dezembro de 2003, deixou esse número de fora. A Ticketmaster relata que a omissão se relacionava ao desejo de evitar revelações da trama, já que o trecho depende bastante de diálogos e acontecimentos importantes. Isso explica a ausência da gravação, não uma ausência do musical.
A versão presente na trilha cinematográfica de 2025 é creditada a Marissa Bode, Cynthia Erivo e Ethan Slater. A Republic Records a apresenta como uma faixa não incluída anteriormente na gravação original da Broadway. É um registro novo de material teatral anterior, e não uma terceira composição inédita de Schwartz para a produção.
Comparação: novidade para o cinema ou para o álbum?
| Música | Situação no palco | O que muda em Wicked: For Good |
|---|---|---|
| No Place Like Home | Não integrava o musical original de 2003. | Canção inédita escrita para Elphaba; Cynthia Erivo interpreta. |
| The Girl in the Bubble | Não integrava o musical original de 2003. | Canção inédita escrita para Glinda; Ariana Grande interpreta. |
| The Wicked Witch of the East | Era encenada no segundo ato, mas ausente do álbum original de 2003. | Recebe gravação na trilha cinematográfica, com Marissa Bode, Cynthia Erivo e Ethan Slater. |
| For Good | Já era o dueto de Glinda e Elphaba na Broadway. | Ganha interpretação de Cynthia Erivo e Ariana Grande e também dá nome ao filme. |
E as outras faixas com nomes ou gravações diferentes?
O álbum cinematográfico, lançado em 21 de novembro de 2025, tem 11 faixas. Entre elas estão números conhecidos da segunda parte do espetáculo, como “Thank Goodness / I Couldn’t Be Happier”, “Wonderful”, “I’m Not That Girl (Reprise)”, “As Long As You’re Mine”, “No Good Deed”, “March of the Witch Hunters” e “For Good”. São novas interpretações em uma adaptação, mas isso não transforma automaticamente cada faixa em uma composição inédita.
A abertura “Every Day More Wicked” também aparece com título próprio na lista de 2025. Convém separar nome de faixa, montagem cinematográfica e canção escrita do zero: o repertório de Schwartz e o anúncio da gravadora continuam identificando apenas duas composições novas. A listagem do álbum, isoladamente, não justifica contabilizar todas as músicas que parecem diferentes como inéditas.
Por que escrever duas músicas novas para a adaptação?
Schwartz explicou à ELLE que a equipe identificou dois momentos em que expressar o mundo interior das protagonistas por meio da música serviria melhor à narrativa. Em “No Place Like Home”, isso reforça a relação de Elphaba com Oz; em “The Girl in the Bubble”, acompanha uma reflexão decisiva de Glinda. A comparação com a Broadway, portanto, revela uma escolha de adaptação: acrescentar dois solos de personagem sem substituir a estrutura musical que já conduzia o segundo ato.
Assim, a resposta depende da pergunta exata. Músicas compostas especialmente para o filme: duas. Número que já existia no palco e só aparece na trilha do filme em vez do álbum original da Broadway: “The Wicked Witch of the East”. “For Good” e os demais números conhecidos pertencem ao repertório anterior, agora cantado pelo elenco cinematográfico.
Fontes e referências
- Universal Music Brasil: anúncio da trilha sonora (21/11/2025)
- Stephen Schwartz: repertório oficial de Wicked: For Good
- IBDB: números da montagem original de Wicked na Broadway
- Republic Records: álbum e créditos das 11 faixas
- ELLE: entrevista de Erica Gonzales com Stephen Schwartz (21/11/2025)
- Ticketmaster: repertório e gravação original da Broadway





