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A Lenda (1985): por que Goldsmith deu lugar a Tangerine Dream?

A Lenda teve trilhas e montagens diferentes na Europa e nos Estados Unidos. Entenda a troca de Jerry Goldsmith por Tangerine Dream, o corte do diretor e a edição da Arrow.

Ilustração de fantasia com herói de escudo, princesa, unicórnio branco e criatura vermelha de chifres diante de um castelo nebuloso.

Ridley Scott não substituiu a trilha de Jerry Goldsmith em todas as versões de A Lenda (Legend). O filme chegou a mercados europeus em 1985 com a música orquestral de Goldsmith. Para o lançamento americano, ocorrido em 1986, a montagem foi encurtada e ganhou uma nova trilha eletrônica do Tangerine Dream. A mudança procurava tornar o longa mais atraente ao público jovem dos Estados Unidos e adaptar o som ao novo corte, mas os relatos de quem tomou a decisão não são idênticos.

A diferença não se limita à preferência musical: as versões têm montagens, durações e experiências dramáticas distintas. Décadas depois, o corte do diretor voltou a oferecer a música de Goldsmith, enquanto edições como o Blu-ray da Arrow Video passaram a permitir uma comparação direta com a versão americana.

Por que Jerry Goldsmith foi substituído por Tangerine Dream nos Estados Unidos?

Goldsmith compôs uma trilha sinfônica ligada à atmosfera de conto de fadas, com passagens corais e canções integradas ao universo fantástico do filme. Mas as sessões de teste e a reformulação para o mercado americano colocaram a música em discussão. Em reportagem de janeiro de 1986, o Los Angeles Times registrou a explicação de um porta-voz da Universal: a gravadora e o estúdio buscavam um som com maior potencial comercial, e a trilha original já não se ajustava à montagem reduzida.

Scott apresentou outra ênfase na mesma reportagem. Ele assumiu a decisão de remontar o filme e trocar a música, elogiou o trabalho de Goldsmith e afirmou que o resultado lhe parecia excessivamente doce para a versão que procurava construir. Disse também que desejava músicos com uma ligação mais contemporânea. Portanto, atribuir toda a troca exclusivamente a uma imposição do estúdio, ou exclusivamente a uma rejeição artística de Scott, simplifica um processo de interesses convergentes e versões divergentes.

O próprio Goldsmith contou ao The Washington Post, também em janeiro de 1986, que a substituição o surpreendera e que sua música continuava na versão vista fora do circuito norte-americano. Já o histórico oficial do Tangerine Dream diz que os produtores procuraram a banda por quererem música mais contemporânea e registra a responsabilidade que Edgar Froese sentiu ao substituir um compositor que admirava.

Quais são as diferenças entre os três cortes principais?

A estreia europeia aconteceu em 1985, enquanto a chegada comercial aos cinemas dos Estados Unidos ocorreu em abril de 1986. As durações abaixo são aproximadas: cadastros e mídias podem apresentar pequenas variações de minutagem, inclusive por padrões de reprodução. Não é correto usar o ano de lançamento europeu como se fosse a data da estreia americana.

Versão Mercado e duração aproximada Trilha predominante O que a distingue
Corte europeu de cinema Europa, 1985; cerca de 94 minutos Jerry Goldsmith Montagem internacional originalmente lançada nos cinemas, diferente da americana e do posterior corte do diretor.
Corte americano de cinema Estados Unidos, 1986; cerca de 89 minutos Tangerine Dream Montagem mais curta, reorganizada para a estreia norte-americana, com nova identidade sonora e canções pop.
Corte do diretor Reconstituído para DVD em 2002; cerca de 113 minutos Jerry Goldsmith Recupera material narrativo e parte da estrutura mais longa preferida por Scott; não equivale automaticamente a qualquer primeira montagem de trabalho.

O IMDb cataloga também uma edição de televisão e outras diferenças de exibição. Isso não transforma todas essas variantes em lançamentos equivalentes. Para a pergunta sobre qual trilha acompanha qual versão, a distinção mais útil é entre o corte europeu de cinema, o americano e o do diretor.

O que muda na experiência do filme além das músicas?

A redução americana concentra mais a narrativa e modifica a apresentação de passagens do conto fantástico. A comparação de versões no IMDb aponta, entre outras alterações, diferenças em cenas de Lili e na extensão de certas sequências com personagens da floresta. Como se trata de um catálogo de variantes e não de uma transcrição definitiva de cada cópia, a mudança exata de uma cena deve sempre ser conferida na edição utilizada.

A linguagem musical também interfere na percepção do filme. Goldsmith emprega uma escrita orquestral associada ao encantamento e às relações entre personagens; Tangerine Dream usa texturas eletrônicas mais próximas do som popular dos anos 1980. Sua edição inclui as canções Is Your Love Strong Enough, interpretada por Bryan Ferry, e Loved By The Sun, com voz de Jon Anderson, conforme o catálogo oficial da banda. Não se trata apenas de substituir faixas de fundo por instrumentos diferentes: os arranjos ajudam a moldar o ritmo e o tom que cada montagem transmite.

O que a Arrow restaurou e qual versão está no Blu-ray?

A edição americana de Legend publicada pela Arrow Video reúne o corte de cinema dos Estados Unidos e o corte do diretor, ambos apresentados em Blu-ray 1080p. Para a montagem americana, a distribuidora descreve uma restauração em 2K a partir de materiais originais, incluindo uma digitalização em 4K do negativo de câmera. Digitalizar o negativo em 4K não significa que essa edição seja um disco 4K UHD.

O corte do diretor tem aproximadamente 113 minutos e mantém a trilha de Goldsmith. O corte americano, com aproximadamente 89 minutos, preserva a música do Tangerine Dream. A Arrow inclui ainda extras sobre as versões e suas trilhas, mas a montagem europeia de cinema de aproximadamente 94 minutos não integra o conjunto americano citado. Para quem procura especificamente esse terceiro corte, é necessário verificar outra edição e seu território.

A recuperação do corte do diretor já havia chegado ao DVD em 2002, antes do Blu-ray da Arrow. Como observa a análise histórica de Andy Dursin sobre a edição, a reconstituição envolve materiais preservados de qualidade diferente; não deve ser confundida com a redescoberta integral da primeira montagem longa feita durante a produção.

Qual versão escolher para conhecer A Lenda?

Para entender a proposta musical e narrativa mais extensa associada a Ridley Scott, o corte do diretor com Goldsmith é o ponto de partida mais informativo. Para conhecer o filme que chegou ao público americano em 1986, a escolha é o corte de cinema com Tangerine Dream. Já o corte europeu de 1985 documenta uma combinação histórica própria, com Goldsmith e uma montagem mais curta que a do diretor.

Ver as duas versões presentes no Blu-ray da Arrow em sequência permite perceber a mudança de montagem e de tom, sem declarar uma trilha objetivamente superior à outra. Antes de comprar uma edição ou procurar uma exibição digital, confira sempre o nome do corte, a duração, o áudio e a região: o título Legend sozinho não identifica qual experiência está disponível.

Fontes e referências

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