Filmes22/10/2026Jeferson Dantas8 min de leituraAtualizado em 23/10/2026

O Homem que Copiava (2003): resumo completo dos golpes de André e do final com Sílvia

Do dinheiro falsificado e do assalto à loteria, à morte de Antunes e à revelação de Sílvia: entenda a história de O Homem que Copiava e o que dizem os roteiros.

Montagem cinematográfica de um jovem examinando uma nota com o número 100 diante de uma copiadora, com uma mulher ao fundo, uma figura armada e uma cidade ao entardecer.

Aviso: o texto revela o assalto, as mortes e a reviravolta final de O Homem que Copiava (2003).

Em O Homem que Copiava, André começa falsificando notas para se aproximar de Sílvia, assalta uma agência bancária com ajuda de Cardoso, ganha na loteria e depois enfrenta dois chantagistas. No desfecho, Feitosa morre ao perseguir André na ponte, Antunes é morto numa explosão arquitetada pelo grupo e André parte para o Rio de Janeiro com Sílvia, Cardoso e Marinês. A revelação decisiva é que Sílvia também observava André e ajudou a aproximar os dois. O filme de 2003 tem direção e roteiro de Jorge Furtado, com Lázaro Ramos e Leandra Leal nos papéis centrais.

Quem é André e por que os 38 reais importam?

André mora em Porto Alegre com a mãe, desenha nas horas vagas e trabalha operando uma fotocopiadora numa papelaria. Ele acompanha à distância a rotina de Sílvia, funcionária de uma loja de roupas femininas, e inventa a compra de um presente para conhecer a moça. Um chambre de 38 reais se transforma num objetivo aparentemente modesto, mas fora do alcance imediato de seu salário. Essa frustração dá início à sequência de decisões que o leva de um pequeno delito a crimes muito mais graves.

Marinês trabalha com André na papelaria. Cardoso, comerciante que se apresenta como mais rico do que é, entra no círculo dos dois. Os dois passam de personagens que André conhece por acaso a cúmplices ativos, cada qual movido também pela vontade de mudar de vida.

Como André falsifica dinheiro e por que envolve Cardoso?

Quando a papelaria recebe uma copiadora colorida, André percebe que pode reproduzir uma nota de 50 reais. A primeira experiência serve para obter dinheiro de verdade por meio de trocas e compras, inclusive apostas feitas na lotérica. A facilidade aparente é enganosa: reproduzir uma cédula convincente exige papel e cuidados, cópias sucessivas perdem qualidade e colocar notas falsas em circulação cria o risco de alguém identificá-las.

André chega a entregar uma nota falsa a Cardoso ao comprar uma pequena caixa apresentada como objeto antigo. Quando o truque vem à tona, Cardoso não rompe a amizade. Ele percebe a possibilidade de ganhar dinheiro com o esquema e ajuda a ampliar a circulação das falsificações. É nesse estágio que a lotérica deixa de ser apenas um ponto de troca: André registra apostas cujos números terão importância inesperada.

Por que a falsificação leva ao assalto ao banco?

André presenteia Sílvia com uma cortina japonesa e continua observando a janela dela. Nesse processo, percebe que Antunes, o homem que vive com Sílvia e é tratado como seu pai, invade sua privacidade. A situação reforça o desejo de tirá-la daquela casa. André conclui que o dinheiro falsificado não permitirá uma mudança de vida rápida e segura; precisa de dinheiro verdadeiro em grande quantidade.

Ele compra uma arma de Feitosa, conhecido ligado ao crime, e planeja atacar o transporte de dinheiro ligado a uma agência bancária. Cardoso aceita ser motorista da fuga, embora se mostre receoso. Durante o roubo, André precisa reagir a um vigilante armado, dispara contra a perna do homem e consegue escapar. A coincidência que ele ainda desconhecia é decisiva: o vigilante ferido é Antunes.

Como André ganha na loteria e por que Marinês recebe o prêmio?

Depois do assalto, o jornal traz duas notícias que mudam os planos. Feitosa foi preso depois de circular com notas falsificadas, e a sequência de números que André registrara na lotérica foi sorteada. O texto final divulgado pela produtora menciona um prêmio de quatro milhões de reais. A fortuna não elimina o risco: apresentar-se publicamente como ganhador poderia expor André quando a polícia ainda investiga o assalto e o tiro no vigilante.

André e Cardoso recorrem a Marinês para receber o prêmio em nome do grupo. Ela passa a controlar o acesso ao dinheiro e exige saber o que os amigos fizeram. Cardoso e Marinês começam a desfrutar da nova condição econômica, mas o assalto e as cédulas falsas continuam sendo passivos perigosos. É importante separar os três recursos: notas falsas foram usadas como meio de troca, o assalto gerou dinheiro roubado e a loteria trouxe um prêmio legítimo ao portador do bilhete.

O que Antunes e Feitosa descobrem?

Num encontro com André, Antunes revela que reconheceu o rapaz como o assaltante que lhe deu um tiro. Ele usa esse conhecimento para exigir parte do dinheiro. Feitosa também reaparece em liberdade, liga André ao roubo e ameaça Sílvia e a mãe do rapaz caso não receba uma grande quantia. São chantagens diferentes: Antunes pode denunciá-lo como testemunha direta; Feitosa traz a ameaça de violência física.

Quando Sílvia descobre o que aconteceu, rejeita a ideia de continuar cedendo a Antunes. Ela conta que a mãe teve uma relação anterior com Paulo, um artista que vive no Rio, e acredita que Antunes talvez nem seja seu pai biológico. A dúvida não é resolvida por um teste ou uma confirmação definitiva. Sílvia explica a hostilidade e o medo que sente dentro de casa e propõe eliminar Antunes para que os dois possam partir.

O que acontece com Feitosa na ponte?

André combina entregar uma bolsa de dinheiro a Feitosa numa ponte móvel. O encontro é preparado como armadilha: Feitosa suspeita do conteúdo, persegue André e acaba saltando da ponte, morrendo na queda. O roteiro de junho de 2001 descreve explicitamente estacas escondidas na área de aterrissagem; o texto final de dezembro de 2002 preserva nas falas a perseguição e a justificativa cínica de André de que ninguém obrigou Feitosa a saltar. O relato independente do final também identifica a queda como parte da armadilha. O detalhe visual das estacas deve, portanto, ser atribuído ao roteiro que o descreve, sem pressupor que cada enquadramento escrito apareça identicamente na montagem.

Como o grupo arma a morte de Antunes?

Depois, André, Sílvia, Cardoso e Marinês articulam um plano para se livrar de Antunes e afastar a suspeita do assalto. A estratégia combina um falso registro de viagem ao Rio, parte do dinheiro roubado deixada no apartamento de Sílvia e uma instalação destinada a causar uma explosão associada ao gás e à geladeira. Marinês procura distrair Antunes, enquanto os demais organizam o cenário.

Um contratempo faz o grupo voltar ao apartamento quando Antunes já está lá. Eles inventam uma explicação para recuperar objetos e mexer na geladeira. Ao sair, Sílvia revela que religou o aparelho. A explosão mata Antunes. Depois, a investigação encontra no local parte das notas provenientes do banco, o que cria uma pista incriminadora contra o morto. Uma galinha colocada no apartamento sobrevive e vira notícia, recurso de humor sombrio que contrasta com o homicídio.

O que Sílvia revela no final e quem é Paulo?

A última parte muda o ponto de vista: a voz de Sílvia passa a reconstruir acontecimentos que André havia narrado do seu próprio ângulo. Ela já sabia que ele a observava pela janela, seguiu-o até a papelaria e criou ou aproveitou encontros aparentemente casuais, inclusive mudanças de ônibus e de lugar para almoçar. Isso não significa que ela soubesse de todos os delitos desde o começo; significa que a aproximação entre os dois foi menos unilateral do que a narrativa de André sugeria.

Sílvia escreve a Paulo, antigo companheiro de sua mãe, e o encontra no Corcovado, perto do Cristo Redentor, enquanto André, Cardoso e Marinês participam da viagem ao Rio. Paulo a recebe com afeto. A cena confirma o reencontro, não a paternidade biológica. O pós-escrito da narração admite que Sílvia omitiu ou não quis contar alguns detalhes. Assim, o filme encerra os golpes sem mostrar punição imediata ao quarteto, mas deixa em aberto quanto da história contada pelos personagens é plenamente confiável.

O que muda entre o roteiro de 2001 e o texto final?

A Casa de Cinema disponibiliza dois documentos diferentes: um roteiro com cenas numeradas datado de junho de 2001 e um texto final identificado como dezembro de 2002. O próprio Jorge Furtado contou em 2023 que o projeto teve anotações anteriores e só chegou ao roteiro concluído em 2002. É incorreto tratar esses arquivos como versões idênticas ou usar o roteiro preliminar como transcrição automática do longa exibido em 2003.

Há uma diferença especialmente reveladora na narração final de Sílvia. No roteiro de 2001, ela se refere de maneira explícita ao assalto e ao tiro em Antunes ao recapitular a mudança de sua vida. No texto final, a carta contada a Paulo apresenta uma versão bem mais discreta, dizendo que André conseguiu trabalho, ganhou dinheiro e a pediu em casamento. A mudança torna a carta um relato seletivo e combina com seu pós-escrito sobre não contar tudo. Outro contraste documental aparece na volta ao apartamento durante o plano contra Antunes: o roteiro antigo organiza o contratempo em torno de uma bolsa esquecida; no texto final, os personagens mencionam casaco e cerveja. Essas comparações são entre os documentos consultados, não prova isolada de como cada tomada foi editada.

Para reconstruir a história do filme, os eventos centrais foram confrontados com a ficha da produtora e com um relato independente do desfecho. Onde apenas o roteiro descreve uma ação visual específica, a formulação acima preserva essa limitação.

Fontes e referências

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