FilmesJeferson Dantas5 min de leitura

O Poderoso Chefão III: os três cortes de 1990, 1991 e 2020 no box 4K

A Parte III possui três montagens: cinema de 1990, Final Director’s Cut de 1991 e Coda de 2020. Saiba quais discos do box 4K UHD de 2022 contêm cada uma.

Colagem cinematográfica em sépia com retratos de Michael Corleone, estojo estilizado de O Poderoso Chefão e três latas de filme identificadas como 1990, 1991 e 2020.

Existem três montagens de O Poderoso Chefão: Parte III: a versão lançada nos cinemas em 1990, com cerca de 162 minutos; a remontagem doméstica de 1991, conhecida como Final Director’s Cut, com cerca de 170 minutos; e Mario Puzo’s The Godfather, Coda: The Death of Michael Corleone, de 2020. No box The Godfather Trilogy 4K Ultra HD lançado pela Paramount em 2022, Coda ocupa o disco principal do terceiro filme, enquanto os cortes de 1990 e 1991 dividem um disco 4K de bônus.

Os anos identificam decisões de montagem da mesma produção, dirigida por Francis Ford Coppola, e não três filmes distintos. Também convém separar corte (quais imagens e sons entram e em que ordem) de restauração 4K (tratamento e apresentação do material). Uma versão restaurada não vira automaticamente a montagem de 1990.

Os três cortes, lado a lado

Corte O que o identifica Na coleção 4K UHD de 2022
Cinema, 1990 (aprox. 162 min) Montagem da estreia cinematográfica; mais curta que a remontagem doméstica de 1991. Disco 4 de bônus, em 4K UHD.
Final Director’s Cut, 1991 (aprox. 170 min) Revisão para vídeo com cenas e reações ampliadas, além de ajustes de montagem. Mesmo disco 4, em 4K UHD.
Coda, 2020 (cerca de 158 min em comparações) Nova estrutura de abertura e encerramento, cortes e mudanças em planos, falas e trilha. Disco 3, como apresentação principal do encerramento da trilogia.

As minutagens são aproximações úteis para distinguir versões, não uma garantia universal de duração do arquivo. Os discos e os créditos podem apresentar pequenas variações; a página de Coda na Paramount, inclusive, informa 162 minutos, em divergência com comparações que indicam cerca de 157 a 158 minutos. Para reconhecer a montagem, dê prioridade ao nome do corte indicado no menu ou na ficha do disco.

O que mudou em 1991, a versão que costuma desaparecer das comparações?

O AFI Catalog registra que a Paramount lançou em vídeo, em 1991, The Godfather III: The Director’s Final Cut, com 170 minutos. A pesquisa do instituto cita uma reportagem de outubro daquele ano: Coppola voltou à sala de edição depois do lançamento de Natal de 1990 e ampliou reações e encontros entre personagens. É, portanto, uma remontagem efetiva, não simplesmente o filme de cinema com resolução melhor.

Entre os exemplos documentados pelo AFI estão uma conversa mais íntima entre Michael e Mary e o reencontro ampliado de Michael com Kay na Sicília, que explicita a reconciliação dos dois. O acréscimo líquido é de aproximadamente oito minutos em relação à montagem de cinema. Essa edição longa se tornou uma referência frequente nas versões para assistir em casa, o que ajuda a explicar por que tantas análises tratam 170 minutos como a duração do filme “original”.

Por que Coda, de 2020, não é só uma versão encurtada?

A própria Paramount descreve Coda como uma nova edição com abertura, final, planos e escolhas musicais alterados. A conversa de Michael com o arcebispo Gilday sobre os negócios ligados ao Vaticano passa a introduzir a história, antecipando um conflito que na estrutura anterior surgia depois. Ivan Finotti, na Folha de S.Paulo, e Pablo Villaça analisaram como essa inversão muda o entendimento dos interesses de Michael desde o início.

Atenção: o próximo parágrafo revela diferenças do final das montagens.

Nas montagens anteriores, a sequência final mostra Michael morrer, velho e isolado. Em Coda, o corte encerra a imagem antes dessa morte explícita e acrescenta uma inscrição sobre memória e longevidade. Também reduz as lembranças de dança associadas às mulheres da vida de Michael, concentrando-as em Mary. Villaça considera eficaz a nova abertura, mas questiona a retirada de outras lembranças. Trata-se de uma avaliação atribuída ao crítico, não de um consenso sobre qual corte é superior.

Onde cada versão fica nos cinco discos do box 4K de 2022?

A ficha oficial da Paramount confirma Coda e os cortes de cinema e de 1991 na coleção 4K; a análise técnica de Bill Hunt, no The Digital Bits, detalha a distribuição no conjunto de cinco discos lançado nos Estados Unidos:

  1. Disco 1, 4K UHD: O Poderoso Chefão (1972).
  2. Disco 2, 4K UHD: O Poderoso Chefão: Parte II (1974).
  3. Disco 3, 4K UHD: Coda (montagem de 2020), com uma breve introdução de Coppola.
  4. Disco 4, 4K UHD de bônus: as montagens de 1990 e 1991 de Parte III, selecionáveis no mesmo disco por seamless branching, recurso que reutiliza trechos comuns e alterna os segmentos diferentes.
  5. Disco 5, Blu-ray de bônus: documentários, materiais de arquivo e outros extras; não é o disco que abriga as duas montagens antigas em 4K.

Atenção à edição comprada: essa disposição corresponde ao conjunto físico 4K Ultra HD de cinco discos analisado em 2022. Não presuma que um Blu-ray convencional, um disco avulso de Coda, uma cópia digital ou uma edição regional reproduza exatamente os mesmos discos e cortes. O anúncio norte-americano não comprova, por si só, composição idêntica de toda caixa comercializada no Brasil.

Por que algumas análises falam em somente duas versões?

A comparação mais comum coloca uma “versão original” diante de Coda, sem separar a cópia de cinema de 1990 da edição doméstica de 1991. Pablo Villaça, por exemplo, informa 2h50 para a versão que contrapõe à nova, de 2h38. A primeira duração corresponde à montagem longa de 1991, enquanto a versão cinematográfica de 1990 tem aproximadamente 2h42. A duração citada sugere qual material serve de referência naquele confronto; não substitui a identificação da edição utilizada pelo autor.

O detalhe muda a pergunta: dizer que uma cena está ausente de Coda em comparação com a versão longa não significa, sem checagem, que a mesma cena estivesse no lançamento teatral de 1990. O AFI documenta acréscimos de 1991, a Paramount identifica a revisão de 2020 e o box 4K permite comparar as três montagens sem misturá-las.

Qual corte escolher?

Para conhecer a experiência lançada nos cinemas em 1990, selecione Theatrical Cut. Para ver a revisão ampliada de 1991 e passagens adicionais entre Michael e sua família, procure 1991 Cut ou Final Director’s Cut. Para a leitura posterior de Coppola, mais concentrada na negociação com o Vaticano e com outro encerramento, escolha Coda. Na caixa 4K UHD de cinco discos, as três opções estão presentes, mas não no mesmo disco.

Fontes e referências

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